A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para cruzar informações da investigação sobre a tentativa de venda do banco Master com evidências do caso de desvios milionários de recursos de aposentados e pensionistas do INSS.

O pedido, considerado estratégico, visa mapear a dimensão de um possível ecossistema de fraudes interligadas. O processo tramita sob a relatoria de Mendonça no STF.

A medida pode acelerar a produção de provas e permitir a elaboração de relatórios, após mudanças no acesso aos dados da apuração.

Objetivo do cruzamento estratégico

O objetivo é identificar se houve sobreposição de fluxos financeiros comuns ou utilização das mesmas estruturas para diferentes esquemas supostamente fraudulentos.

A Polícia Federal trata essa integração como um passo crucial para entender a extensão das operações ilícitas. O banco Master já é investigado no escândalo do INSS por ter administrado recursos possivelmente desviados irregularmente de contas de aposentados.

Contexto processual

A apuração do desvio bilionário de descontos indevidos de aposentados e pensionistas do INSS tramita no STF sob relatoria de Mendonça. Isso justifica a necessidade de sua autorização para o compartilhamento de dados.

A primeira fase dessa operação, chamada de Sem Desconto, foi deflagrada em abril do ano passado. Agora, com a possibilidade de cruzar informações, os investigadores esperam destravar as apurações e avançar mais rapidamente.

Mudanças no acesso às provas

Durante a relatoria do ministro Dias Toffoli, as provas ficavam na Procuradoria-Geral da República (PGR). Apenas quatro peritos da PF, nomeados por ele, tinham acesso aos documentos e aparelhos eletrônicos.

Nova configuração sob Mendonça

Com a mudança para Mendonça, o rito processual foi devolvido à PF. Isso abriu a possibilidade para que mais peritos possam extrair e analisar os materiais apreendidos em diferentes fases da operação.

A alteração permitiu que outros policiais, supostamente ligados a Toffoli, perdessem acesso aos dados das investigações. A medida busca ampliar a capacidade de análise técnica e agilizar o andamento do caso.

A fonte não detalhou quantos peritos adicionais foram autorizados. A expectativa é que a nova configuração facilite o trabalho de cruzamento de informações.

O papel do banco Master nas investigações

O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, após uma série de investigações. A primeira fase da operação Compliance Zero levou para a cadeia o dono do banco, Daniel Vorcaro.

Vorcaro hoje responde em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. Além do envolvimento no caso do INSS, o banco é alvo de apurações sobre a tentativa de venda, que agora podem ser conectadas aos desvios de recursos de aposentados.

Linha de investigação sobre influenciadores

Outra frente trata da suposta contratação de influenciadores digitais por uma equipe ligada a Vorcaro. O objetivo seria atacar o Banco Central e autoridades do sistema financeiro após a liquidação do Master, ocorrida no fim de 2025.

Vorcaro nega que a contratação de influenciadores digitais tenha ocorrido. Os investigadores seguem apurando essa linha para verificar se houve campanhas coordenadas para desestabilizar o sistema financeiro.

Integração com outras operações da PF

Além do cruzamento entre o caso Master e o escândalo do INSS, são necessários cruzamentos de informações com a operação Carbono Oculto. Essa operação foi deflagrada em agosto do ano passado.

Escopo da operação Carbono Oculto

A operação revelou um esquema bilionário de adulteração de combustíveis e uso de fundos de investimentos para lavagem de dinheiro ao crime organizado. A integração entre diferentes áreas da PF pode demandar cooperação internacional, dada a complexidade e o alcance das investigações.

Esse eixo envolve a análise de possíveis conexões entre:

  • Fraudes financeiras
  • Lavagem de dinheiro
  • Outros ilícitos relacionados

Próximos passos da apuração

Com a autorização de Mendonça, a PF poderá avançar no cruzamento de dados entre as investigações do Master e do INSS. A decisão de destravar as apurações foi vista como um fator que pode acelerar a produção de provas.

A tendência é manter o processo no STF, sob regras rígidas de sigilo para evitar vazamentos. Há possibilidade de prorrogação do prazo caso novas diligências sejam necessárias.

Foco principal das investigações

O foco principal é mapear a dimensão de um possível ecossistema de fraudes interligadas, que pode envolver bilhões de reais desviados. A integração com outras operações, como a Carbono Oculto, amplia o escopo das investigações e exige coordenação entre diferentes equipes.

A expectativa é que, com mais peritos analisando os materiais, seja possível identificar com maior clareza os responsáveis pelos esquemas. A fonte não detalhou quando os primeiros resultados devem ser divulgados.

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