Documento do BC foi crucial para liberdade de Daniel Vorcaro

Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe adjunto do Departamento de Fiscalização do Banco Central, assinou um ofício que se tornou decisivo para a liberdade do banqueiro Daniel Vorcaro. O documento foi anexado ao processo pelos advogados de defesa em novembro de 2025.

O objetivo era demonstrar que Vorcaro não tentava fugir do país. A peça jurídica culminou na revogação da prisão do dono do Banco Master.

Conteúdo do ofício

O ofício registrava que Vorcaro havia informado ao Banco Central sobre uma viagem a Dubai naquela noite. O propósito declarado era negociar com investidores árabes a venda do banco.

Cronologia da reunião

A reunião que originou o documento ocorreu em 17 de novembro de 2025, mesma data da detenção. O encontro aconteceu por videoconferência entre 13h30 e 14h10.

Participaram:

  • Aílton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do BC
  • Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe adjunto do Departamento de Fiscalização
  • Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária

A presença dessas autoridades reforçou o caráter institucional da comunicação, conforme argumentou a defesa.

Decisão judicial citou diretamente o ofício

Ao revogar a prisão em 28 de novembro, a desembargadora Solange Salgado, do TRF-1, citou diretamente o documento. Em sua fundamentação, escreveu:

“Os impetrantes anexaram prova demonstrando que o paciente comunicou previamente ao Banco Central sua viagem internacional com destino a Dubai, tendo informado formalmente o motivo da viagem — venda de instituição financeira — durante reunião oficial realizada na mesma data do embarque”.

A decisão reconheceu a comunicação prévia como elemento que afastava a suspeita de fuga. Esse foi um dos fundamentos para a prisão preventiva.

Limitações do documento

A utilização do ofício não encerra as questões sobre o caso. A origem do documento e as circunstâncias da reunião são alvo de apurações paralelas.

PF investiga relação além do institucional

Para a Polícia Federal, a relação entre Vorcaro e servidores do BC ia além das interações institucionais. A PF apurou que existia um grupo de WhatsApp com:

  • Paulo Sérgio Neves de Souza
  • Belline Santana
  • Daniel Vorcaro

No grupo, discutiam “estratégias relativas a temas de interesse do Banco Master”. Compartilhavam documentos, informações e pedidos de apoio.

Pressão para agendar reunião

Investigadores afirmam que Vorcaro pressionou para que a reunião ocorresse justamente no dia 17 de novembro. A insistência foi registrada nas conversas do WhatsApp, segundo a PF.

Essa sincronia entre agenda oficial e planos pessoais levantou questionamentos sobre a motivação do compromisso.

Reunião ocorreu horas antes da prisão

A cronologia do dia 17 de novembro de 2025 foi apertada:

  1. 13h30–14h10: reunião por videoconferência com representantes do BC
  2. 22h: prisão de Vorcaro ao tentar embarcar em seu jato particular no aeroporto de Guarulhos

A justaposição temporal gerou interpretações divergentes:

  • Defesa: comunicação prévia descarta intenção de fuga
  • Investigadores: possível articulação para criar álibi

Casos e evidências em análise

O episódio envolve múltiplas camadas de análise:

Esfera judicial

Decisão da desembargadora Solange Salgado acolheu argumentos da defesa com base no ofício. Resultou na liberdade de Vorcaro.

Esfera investigativa

PF apura natureza das relações entre Vorcaro e servidores do BC. As evidências incluem:

  • Documentos formais (ofício)
  • Materiais digitais (conversas no WhatsApp)

Contexto operacional

Paulo Sérgio é alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. A operação foca em possíveis irregularidades envolvendo servidores do Banco Central.

O caso segue em aberto. A utilização do ofício já produziu um resultado concreto — a liberdade de Vorcaro —, mas questões sobre como e por que o documento foi gerado permanecem sob análise.

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