A Polícia Federal (PF) aguarda a extração de dados de oito celulares apreendidos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para avaliar a viabilidade de um acordo de delação premiada. O empresário foi preso novamente na semana passada, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).

O objetivo dos investigadores é obter uma noção completa da dimensão do caso e dos envolvidos, um passo crucial antes de qualquer negociação formal.

Perícia técnica dos celulares apreendidos

Até o momento, os agentes recolheram oito aparelhos do empresário para extração de material. Na última quarta-feira (4/3), durante a prisão dele em São Paulo, mais três celulares foram apreendidos.

Todos os dispositivos estão lacrados e ainda não passaram por perícia, conforme informações disponíveis. A análise desses equipamentos é considerada fundamental para embasar as próximas decisões das autoridades.

Possibilidade de acordo direto com a PF

Há a possibilidade de que a colaboração premiada seja firmada diretamente com a Polícia Federal, e não necessariamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com a Lei das Organizações Criminosas, tanto o delegado de polícia quanto o Ministério Público têm competência para celebrar o acordo. Essa flexibilidade legal pode agilizar o processo, dependendo dos resultados das perícias.

Mensagens vazadas aumentam expectativa

O temor pela delação aumentou significativamente depois do vazamento de mensagens que expõem o relacionamento próximo de Vorcaro com autoridades.

As primeiras extrações dos telefones mostram que ele mantinha relação próxima com figuras dos Três Poderes. Um dos nomes apontados é o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, embora a natureza exata dessas interações ainda esteja sob análise.

Exigências para um acordo de delação

Para se tornar um delator, Vorcaro deverá apresentar provas substanciais das suas declarações, além de entregar os nomes de pessoas que poderiam estar acima dele na organização criminosa.

Em troca, o dono do Banco Master poderá ter redução de pena em até dois terços — ou mesmo receber o perdão das autoridades, conforme prevê a legislação.

No entanto, a defesa do empresário alegou que não tem informações sobre a intenção dele de firmar um acordo de delação premiada.

Troca de mensagens com ministro do STF

Comunicação em 17 de novembro

Em 17 de novembro, dia em que foi preso pela primeira vez, Daniel Vorcaro escreveu uma mensagem — que seria para o magistrado Alexandre de Moraes — perguntando se ele tinha conseguido “bloquear” algo.

Não se sabe sobre o que exatamente o empresário estava tratando, mas a comunicação foi rapidamente respondida. As respostas, no entanto, não podem ser acessadas, pois foram enviadas como três mensagens de visualização única, que somem após a abertura.

Negativa do ministro

Sem explicar conversas com Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes negou ser o destinatário das supostas mensagens que falam sobre salvar o Master.

Segundo ele, as mensagens de visualização única não conferem com seus contatos nos arquivos apreendidos pela Polícia Federal. Conforme nota divulgada, os prints estão vinculados a outras pessoas da lista de contatos do empresário, o que levanta dúvidas sobre a autenticidade das informações vazadas.

Inquérito investiga vazamento de dados

O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de dados do celular de Vorcaro.

Essa medida busca apurar a origem das informações que circularam publicamente e garantir a integridade do processo investigativo. A decisão reflete a sensibilidade do caso, que envolve alegações de conexões com altas autoridades.

Próximos passos das investigações

Com a perícia dos celulares ainda pendente, as autoridades aguardam mais elementos para definir os rumos do caso. A extração dos dados será essencial para confirmar ou descartar as relações apontadas nas mensagens vazadas.

Paralelamente, a Operação Compliance Zero segue em andamento, focada no esquema de créditos fraudulentos que deu origem às prisões. O desfecho dessas análises deve influenciar diretamente a discussão sobre uma possível delação.

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