O sacerdote Frei Gilson, conhecido por sua forte presença digital e posições conservadoras, foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta terça-feira (5) por supostas falas discriminatórias contra a comunidade LGBT+ e mulheres. A representação foi protocolada pelo ex-noviço e jornalista Brendo Silva, que acusa o religioso de utilizar suas pregações e redes sociais para propagar preconceitos. O documento reúne vídeos em que o padre usa o termo “homossexualismo” e classifica a orientação sexual como “desordem” e “depravação grave”.

Imunidade religiosa em debate

Frei Gilson possui imunidade religiosa garantida por lei, o que torna o caso juridicamente complexo. A linha tênue entre liberdade religiosa e criminalização de discursos discriminatórios é o ponto que os promotores do Gecradi terão de avaliar. O Gecradi é um grupo do MPSP focado em reprimir delitos de intolerância. A apuração inicial avaliará o contexto dos vídeos para identificar possíveis crimes de discriminação ou se a notícia-fato será arquivada.

Representação ainda em análise

Até a publicação desta reportagem, não havia divulgação pública do MPSP sobre eventual instauração de procedimento. A informação pode ser considerada apenas como uma representação em análise, e não como ação penal, investigação formal concluída ou condenação. O MPSP deverá realizar uma análise preliminar para decidir se instaurará um procedimento investigativo formal por meio do Gecradi.

Contexto legal e precedentes

Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo. No estado de São Paulo, manifestações atentatórias por orientação sexual também são punidas por meio da Lei Estadual 10.948/2001. Esses instrumentos legais podem ser aplicados ao caso, dependendo da avaliação dos promotores.

Influência digital e preocupação política

Frei Gilson tem mais de 12 milhões de seguidores nas redes sociais e reúne cerca de 2 milhões de espectadores simultâneos em suas lives de oração. O líder católico de perfil conservador passou a ser visto com preocupação por núcleos do alto escalão da esquerda brasileira. A esquerda brasileira teme que as posições pessoais de Frei Gilson interfiram sobre o eleitorado nas eleições de outubro.

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