AtlasIntel sob suspeita de manipulação em pesquisa eleitoral
A AtlasIntel incluiu, na pesquisa presidencial divulgada nesta terça-feira (19), a reprodução de um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro enviado ao banqueiro Daniel Vorcaro. O material foi apresentado aos entrevistados na etapa final da pesquisa, após a conclusão do questionário, acompanhado de uma ferramenta para medir, em tempo real, a reação do público ao conteúdo. A iniciativa gerou acusações de manipulação e pode ser questionada judicialmente.
Metodologia da pesquisa e o áudio
Segundo o formulário submetido ao TSE, os participantes deveriam avaliar o áudio enquanto ouviam a gravação, arrastando o botão para a direita em caso de percepção positiva e para a esquerda em caso de percepção negativa. A AtlasIntel afirma que a reprodução do áudio atribuído a Flávio ocorreu apenas após o encerramento das perguntas sobre intenção de voto. As perguntas sobre intenções de voto para presidente, conforme os representantes, foram feitas antes de qualquer menção ao caso Vorcaro, com o áudio sendo apresentado apenas como último item do questionário.
Questionamentos sobre viés de confirmação
Embora a intenção declarada do instituto seja avaliar o impacto da notícia do Intercept nas intenções de voto, reproduzir o arquivo de mídia pode ser questionado judicialmente. Na prática, o áudio serve como indutor da resposta, buscando um viés de confirmação. A questão, por exemplo, não continha a justificativa apresentada por Flávio para o financiamento do filme Dark Horse, nem sua explicação de que não houve contrapartida. Especialistas apontam que a ausência de contexto pode influenciar a percepção dos entrevistados.
Registro e dados da pesquisa
A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-06939/2026, coletada entre 13 e 18 de maio com 5 mil entrevistados e margem de erro de 1 ponto percentual. A inclusão do áudio gerou debate sobre a ética na condução de pesquisas eleitorais. A AtlasIntel defende que a metodologia visa medir reações espontâneas, mas críticos argumentam que a reprodução do áudio pode contaminar os resultados.
