Uma minuta de contrato no valor de R$ 50 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados chamou a atenção de investigadores pela coincidência com o saldo devedor do acordo original. O montante corresponde exatamente ao que ainda faltava ser pago no primeiro contrato, que totalizava cerca de R$ 129 milhões. A informação consta em documentos apresentados pelo banqueiro Vorcaro em sua proposta de colaboração premiada à Polícia Federal, que foi rejeitada.

Coincidência de valores chama atenção

De acordo com as investigações, o valor previsto na minuta do novo contrato é idêntico ao montante que ainda restava ser quitado no acordo original. O primeiro contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes veio a público no fim de 2025. A contratação previa pagamentos mensais de pouco mais de R$ 3,6 milhões ao escritório, com vigência de janeiro de 2024 a janeiro de 2027. O valor total do contrato era próximo de R$ 129 milhões.

Até novembro de 2025, o Banco Master havia declarado pagamentos de pouco mais de R$ 80 milhões ao escritório. Esse montante corresponderia a 22 das 36 parcelas originalmente previstas. Com isso, o saldo devedor seria de aproximadamente R$ 49 milhões, valor muito próximo aos R$ 50 milhões da minuta.

Proposta de colaboração rejeitada

A minuta foi mencionada na primeira proposta de colaboração premiada apresentada por Vorcaro à Polícia Federal. Documentos encontrados em endereços vinculados a ele levaram o banqueiro a abordar o tema em sua proposta. No entanto, o acordo foi rejeitado pelos investigadores. A proposta rejeitada não esclareceu como foi calculado o valor de R$ 50 milhões. Também não foram fornecidos elementos adicionais capazes de esclarecer por que outra empresa precisaria assumir a obrigação financeira.

Os anexos entregues por Vorcaro passaram a integrar a análise do caso. Investigadores tentam compreender a efetiva finalidade econômica do instrumento contratual. Apesar das suspeitas, não há sinais de que a esposa do ministro, o escritório dela ou o próprio ministro sejam alvos das apurações.

Escritório nega atuação no STF

A banca declarou que jamais conduziu causas do Banco Master no STF. A banca sustentou que sua atuação esteve restrita a serviços de consultoria e assessoria jurídica. O primeiro contrato, de R$ 129 milhões, já havia gerado pagamentos de R$ 80 milhões até novembro de 2025. O escritório não se manifestou sobre a minuta do novo contrato.

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