A Polícia Federal (PF) concluiu que o banqueiro Vorcaro recebeu um documento sigiloso do Ministério Público Federal (MPF) apenas dois dias depois de instaurado o inquérito que investiga um negócio de R$ 500 milhões na Caixa Asset. A informação consta em relatório da corporação, que apura o vazamento de dados protegidos por sigilo. O caso, que tramita sob segredo de Justiça no Distrito Federal, levou à destituição de dois gerentes da gestora e motivou auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU).
Documento sigiloso chegou a Vorcaro em 48 horas
Segundo a PF, o documento foi encaminhado a Vorcaro por meio de uma cadeia de mensagens que envolveu o general Hamilton Mourão. Em 30 de julho de 2024, Mourão enviou a Vorcaro o extrato de um documento administrativo do gabinete da procuradora Luciana Loureiro, responsável pelo caso. Na ocasião, Mourão escreveu: “Opa. Bom dia! Tem alguém olhando isso? De ontem, atualização no Caixa Assets”. A PF não identificou o autor original do texto, mas descobriu que uma servidora da Procuradoria da República no Maranhão acessou os documentos. Os investigadores agora apuram as circunstâncias da consulta.
Mensagens revelam monitoramento de pessoas
Em mensagens trocadas em 18 de junho de 2024, Mourão pediu a Vorcaro uma lista de pessoas para monitorar. A lista incluía o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro; Henrique Vorcaro, pai do banqueiro; e Nelson Tanure, apontado como “sócio oculto” do Banco Master. A PF investiga se essas pessoas eram alvo de vigilância paralela. Uma mensagem enviada a Mourão e repassada a Vorcaro diz: “Foi cadastro (sic) negócio lá da Assets (sic), não tem IP [inquérito policial] ainda, só NF [notícia de fato]”.
Negócio de R$ 500 milhões não ocorreu
O negócio que motivou o inquérito envolvia R$ 500 milhões e não se concretizou. Os técnicos da Caixa Asset recomendaram o cancelamento da operação. A fonte não detalhou os motivos da recomendação. O caso gerou crise na gestora, levando à destituição dos gerentes Daniel Cunha Gracio e Maurício Vendruscolo. A Controladoria-Geral da União (CGU) chegou a abrir uma auditoria na Caixa Asset para apurar os fatos.
PF investiga acesso irregular a dados
A Justiça Federal do Distrito Federal instaurou o inquérito, que tramita sob sigilo. A PF justifica a investigação: “Impõe-se esclarecer se a consulta foi realizada de forma regular, se o acesso foi ilegalmente obtido mediante invasão (“hackeado”) ou se houve franqueamento direto por parte da própria usuária”. A corporação não detalhou se já ouviu testemunhas ou se há suspeitos formalmente identificados. O post Vorcaro recebeu documento sigiloso do MPF dois dias depois de aberto o inquérito, diz PF apareceu primeiro em Paulo Figueiredo.
