O endividamento das famílias de baixa renda atingiu recorde em julho. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 84,9% das famílias com renda mensal de até três salários mínimos (R$ 4.863) estavam endividadas no mês. Por exemplo, o recorte da pesquisa foi divulgado pelo site Valor Econômico.

Recorde na série para famílias de baixa renda

Além disso, o percentual de 84,9% foi o maior da série para essa faixa, iniciada em maio de 2023. O resultado marcou o quarto recorde consecutivo entre as famílias de menor renda. O índice ficou, ainda, acima da média de endividamento de todas as faixas, que chegou a 82% em julho. Esse percentual, por sua vez, foi o maior nível da série histórica da Peic.

Em outras palavras, o grupo com renda de até R$ 4.863 não apenas superou a média geral, como também alcançou o pior patamar desde o início do acompanhamento específico. Portanto, os dados mostram um cenário de aperto financeiro que atinge justamente quem tem menos recursos. No entanto, a fonte não detalhou os tipos de dívida nem os motivos que levaram a esse patamar.

Como a Peic é realizada

A Peic acompanha mensalmente o endividamento das famílias nas capitais e no Distrito Federal.

  • Amostra mensal: aproximadamente 18 mil consumidores, ou 17,8 mil famílias.
  • Desse total, cerca de 43% têm renda mensal de até três salários mínimos.
  • No caso da faixa com renda mensal de até R$ 4.863, a série teve início em maio de 2023.

Dessa forma, essa fatia expressiva da amostra faz com que a pesquisa tenha um retrato detalhado do grupo de menor renda. A fonte não detalhou, entretanto, a composição da amostra por região ou por tipo de ocupação.

Comprometimento da renda avança

O comprometimento da renda com dívidas aumentou nessa faixa de renda. Por exemplo, a parcela mensal destinada ao pagamento de débitos passou de 30,4% para 30,6% entre junho e julho. O movimento ocorre em um momento em que o endividamento já atinge quase 85% das famílias dessa faixa. Consequentemente, a combinação de alta taxa de endividamento e parcela maior comprometida indica um quadro de pressão sobre o orçamento. A fonte não detalhou, contudo, quais despesas mais pesam no cálculo do comprometimento.

Esse aumento da parcela comprometida, embora pequeno em pontos percentuais, acontece sobre uma base já elevada. Ademais, os dados mostram que mais de oito em cada dez famílias estavam endividadas em julho. A Peic não indica, porém, se o aumento reflete novas dívidas ou renegociações de contratos antigos. Ou seja, o que os dados mostram é tão somente a elevação do percentual entre junho e julho.

Confiança do consumidor cai na faixa 1

Na faixa 1, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 10,5 pontos e chegou a 79,8 pontos. Isto é, o ICC é o indicador-síntese da Sondagem do Consumidor da FGV. Ademais, o resultado representa a menor pontuação desde setembro de 2025, quando o índice estava em 77,4 pontos. A queda expressiva na confiança ocorre no mesmo grupo que registra recorde de endividamento. Portanto, essa relação entre confiança e dívidas ajuda a entender o comportamento das famílias de menor renda.

Apostas esportivas entre fatores

As apostas esportivas aparecem entre os fatores associados ao endividamento da população de menor renda. O levantamento, contudo, não informa a proporção de famílias que apontaram as apostas como causa. Além disso, a fonte não detalhou, ainda, a relação entre esse comportamento e o crescimento das dívidas. Em resumo, o que os dados da Peic mostram é apenas a associação entre o fator e o endividamento, sem hierarquia de importância.

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