A Polícia Federal (PF) recebeu um novo depoimento que reforça as suspeitas de relação entre Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, e o lobista Antônio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A informação foi prestada por uma publicitária que confirmou a proximidade entre os dois, segundo apuração da investigação.
Viagem a Portugal custeada por lobista
De acordo com os depoimentos e documentos analisados, Lulinha teria viajado para Portugal em novembro de 2024, em classe executiva, com despesas pagas pelo “Careca do INSS”. O objetivo da visita seria conhecer instalações voltadas à produção de cannabis medicinal na região de Aveiro. A defesa de Lulinha, no entanto, sustenta que a viagem teve caráter exclusivamente empresarial e nega qualquer participação em negociações ou vínculo societário com o projeto.
Negociações de imóvel industrial
Documentos apreendidos pela PF indicam que o “Careca do INSS” negociava a aquisição de um imóvel industrial em Portugal para implantar um empreendimento ligado à produção de cannabis. O local visitado por Lulinha seria o mesmo imóvel negociado pelo lobista. As negociações ultrapassariam 2,5 milhões de euros e chegaram a envolver o pagamento de um sinal de aproximadamente 100 mil euros. Contudo, as tratativas foram interrompidas em razão da prisão de Antunes.
Transferências financeiras suspeitas
A PF identificou transferências que somam cerca de R$ 1,5 milhão de empresas ligadas a Antunes para uma companhia vinculada a Roberta, uma publicitária que também atuou como intermediária. Em mensagens apreendidas, o lobista teria determinado o envio de R$ 300 mil para uma empresa registrada em nome de Roberta. Em conversas, ao ser questionado sobre o destinatário final dos recursos, Antunes respondeu que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. A defesa de Lulinha sempre negou os supostos pagamentos periódicos que teriam sido destinados por Antunes ao filho do presidente Lula.
Defesa de Lulinha nega participação
A defesa de Lulinha sustenta que não houve participação em negócios nem recebimento de valores ligados ao esquema investigado. A Polícia Federal afirma não ter elementos que indiquem a participação de Lulinha nas negociações do projeto ou eventual condição de sócio do lobista. Apesar disso, a CPMI teve interesse nos supostos pagamentos periódicos.
Relação intermediada por publicitária
Roberta confirmou à PF ter apresentado Lulinha a Antunes antes do início das operações policiais do INSS. A ligação entre Lulinha, Antunes e Roberta ganhou repercussão após a divulgação de que o filho do presidente realizou a viagem a Portugal em 2024 com despesas custeadas pelo empresário investigado. A defesa de Lulinha reafirma que a viagem teve caráter exclusivamente empresarial e nega qualquer participação em negociações ou vínculo societário com o projeto.
