Gasto milionário em meio ao home office
O Ministério da Fazenda desembolsou R$ 7,5 milhões para adquirir computadores e cadeiras destinados à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O valor chama a atenção porque, segundo dados oficiais, 56% dos funcionários da pasta trabalham de forma remota. A informação foi obtida pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Do total, R$ 4,69 milhões foram usados para comprar 700 cadeiras de escritório (R$ 1.340 cada) e 550 computadores de mesa (R$ 6.830 cada). Além disso, a pasta ainda pagará R$ 2,84 milhões por 300 notebooks, cada um custando R$ 9.480. Até o início de junho, os notebooks ainda não haviam chegado, e nem todos os equipamentos de mesa estavam instalados até 29 de junho.
Aquisição sem estudo prévio
A assessoria do Ministério da Fazenda enviou nota ao Metrópoles informando que os órgãos ignoram a taxa de ocupação dos prédios, mas defendem a compra dos equipamentos. Em resposta à LAI, a pasta admitiu que não há estudo ou diagnóstico formal específico que dimensione a quantidade de pessoas que utilizam as instalações da STN. A aquisição foi realizada sem esse levantamento.
O ministério disse que fez uma estimativa com base em registros funcionais no sistema de pessoal. No entanto, a falta de um estudo formal levanta questionamentos sobre a real necessidade dos gastos, especialmente diante do alto índice de trabalho remoto.
Salas vazias e baixa ocupação
Entre março e junho, a reportagem do Metrópoles esteve no Bloco P da Esplanada, onde trabalham os servidores do Tesouro Nacional. Em visitas realizadas nos últimos três meses, as salas foram encontradas vazias ou com baixa ocupação. A situação não se restringiu a dias de jogos da Copa do Mundo ou feriados, como 29 de junho, data do jogo Brasil x Japão e dia de São Pedro.
Servidores do Tesouro em regime híbrido precisam cumprir expediente presencial equivalente a quatro dias por mês no Bloco P. A baixa ocupação contrasta com o investimento em novos equipamentos, que ainda não estavam totalmente instalados no prédio até o fim de junho.
Contratos e valores detalhados
Os valores correspondem aos contratos informados pelo Ministério da Fazenda em resposta a pedido feito pela LAI. Cada cadeira custa R$ 1.340, cada computador de mesa R$ 6.830 e cada notebook R$ 9.480. Os equipamentos foram comprados para funcionários do Tesouro Nacional, parte deles em regime de trabalho híbrido.
A conta total de R$ 7,5 milhões inclui todos os itens. A fonte não detalhou prazos de entrega ou instalação completos, mas até o início de junho os notebooks não haviam chegado, e cadeiras e computadores de mesa não estavam totalmente instalados até 29 de junho.
