As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) atingiram níveis recordes na Europa, com aumento dos casos de gonorreia e sífilis, e a lacuna em testes e prevenção aumentou, anunciou nesta quinta-feira (21) o Centro Europeu de Controle de Doenças (ECDC).

Recordes históricos de gonorreia e sífilis

Os dados, referentes a 2024, mostram que as notificações de gonorreia e sífilis, incluindo a sífilis congênita, atingiram os níveis mais altos em mais de uma década, sob transmissão sustentada em múltiplos países.

As infecções por gonorreia aumentaram 303% desde 2015, chegando a 106.331 casos em 2024. A taxa de notificação de gonorreia em 2024 é a mais alta registrada desde que o ECDC iniciou a vigilância de infecções sexualmente transmissíveis em 2009.

A sífilis dobrou no mesmo período, chegando a 45.577 casos. Além disso, os casos de sífilis congênita quase duplicaram entre 2023 e 2024, o que pode acarretar complicações por toda a vida para os recém-nascidos afetados.

O aumento da sífilis congênita aponta falhas na detecção durante a gestação e no acompanhamento posterior, já que a intervenção precoce costuma prevenir a maioria das transmissões de mãe para filho.

Complicações severas e grupos afetados

Bruno Ciancio, chefe da unidade de doenças de transmissão direta do ECDC, afirmou: “Se não tratadas, essas infecções podem causar complicações severas, como dor crônica e infertilidade e, no caso da sífilis, problemas cardíacos ou do sistema nervoso”.

Embora os homens que fazem sexo com homens sigam sendo o grupo mais afetado por gonorreia e sífilis, o relatório detectou aumento dos casos entre a população heterossexual e, sobretudo, entre mulheres em idade reprodutiva.

A clamídia segue sendo a IST mais frequente, com 213.443 casos, e foram registrados ainda 3.490 casos de linfogranuloma venéreo. O ECDC considera “urgentemente necessárias” ações específicas para prevenir maior contágio, incluindo entre mulheres em idade reprodutiva.

Orientações e falhas na prevenção

Ciancio orientou: “Proteger a saúde sexual segue sendo simples: use preservativo com parceiros novos ou múltiplos e faça um teste se tiver sintomas como dor, secreção ou úlcera”.

O documento aponta falhas nos sistemas de triagem pré-natal e falta de testes repetidos em gestantes com fatores de risco como causas centrais do avanço da sífilis congênita.

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