Lula alerta para colonialismo digital em Barcelona

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas às grandes empresas de tecnologia durante visita à Espanha. A declaração ocorreu nesta sexta-feira, em Barcelona, em pronunciamento conjunto com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez (Psoe, esquerda).

Lula afirmou que, “sem regras, vão criar um colonialismo digital”. Ele posicionou a regulação como questão central na governança da internet.

Crítica à concentração de poder econômico

O presidente brasileiro não poupou palavras ao descrever o modelo atual de atuação dessas corporações. Segundo ele, os dados dos cidadãos são sistematicamente extraídos, monetizados e utilizados para fins que transcendem o comercial.

“Nossos dados são extraídos, monetizados e usados para concentrar o poder político e econômico nas mãos de um punhado de bilionários”, declarou Lula.

A concentração mencionada não se restringe ao aspecto financeiro, mas também abrange a esfera política e social. A fonte não detalhou exemplos específicos das empresas alvo da crítica.

Defesa da regulação e o ECA Digital

Diante do cenário descrito, o presidente voltou a defender publicamente a ampliação da regulação das plataformas digitais. Para Lula, a autorregulação do setor se mostra insuficiente para proteger os direitos dos cidadãos e a soberania dos países.

Como exemplo de ação concreta, Lula citou o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, conhecido como ECA Digital. O presidente descreveu a medida como o “1º passo que nós precisamos dar para muitos outros assuntos”.

O papel do ECA Digital na proteção

O ECA Digital tem um escopo definido e focado em um grupo vulnerável. A norma regulamenta medidas de segurança para crianças e adolescentes nas redes sociais, estabelecendo obrigações para as plataformas.

Sua assinatura em março de 2026 marca um ponto de partida na construção de uma legislação digital mais abrangente no Brasil.

Combate à “indústria da mentira”

Além da crítica econômica, Lula também direcionou suas observações para o conteúdo veiculado nas plataformas. O presidente criticou o que chamou de “indústria da mentira”, associando-a a graves problemas sociais.

“Não é possível tratar como normal e como liberdade de expressão a indústria da mentira, da transmissão do ódio, da violência verbal e da desinformação, como ela tem acontecido no planeta. Não é possível”, declarou Lula.

A fala estabelece uma distinção clara entre a liberdade de expressão legítima e a propagação sistemática de conteúdos nocivos.

Um chamado por governança global

As declarações do presidente em solo espanhol transcendem uma mera crítica pontual. Elas representam um posicionamento político sobre um dos temas mais desafiadores da atualidade: a governança do espaço digital.

A expressão “colonialismo digital” evoca a ideia de dominação e exploração. Ela compara as práticas de algumas big techs a um novo tipo de imperialismo.

Ao fazer essas afirmações em um fórum internacional, Lula busca amplificar o debate e possivelmente construir alianças. A defesa da regulação surge como um contraponto à narrativa de que qualquer intervenção estatal é um entrave à inovação.

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