O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que contrair dívidas faz parte da dinâmica econômica do país. “É muito bom que o povo tenha capacidade de se endividar”, declarou. A fala ocorreu nesta segunda-feira, 4, durante assinatura da medida provisória referente ao Novo Desenrola Brasil, no Palácio do Planalto. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, fez a apresentação do projeto do Executivo.
Crédito e consumo como motores
Lula argumentou que o crédito é essencial para o consumo, mas deve ser acompanhado de responsabilidade. Ele relembrou a crise financeira de 2008 para sustentar seu argumento. “Eu fui para a televisão pedir para que o povo não tivesse medo de se endividar, mas com muita responsabilidade. Que as pessoas não deveriam gastar mais do que pudessem pagar”, disse. O presidente defendeu o consumo como parte do crescimento econômico e classificou como “extraordinário” o desejo das famílias de adquirir bens.
Equilíbrio entre incentivo e controle
Lula afirmou que o governo tenta equilibrar o incentivo ao crédito com o controle das dívidas. “É importante a gente chamar a atenção para que as pessoas façam as suas dívidas e não percam de vista as suas condições de pagamento”, declarou. Ele também disse: “Nós estamos tentando encontrar uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente, para ele voltar a respirar normal, para poder voltar a sonhar.”
Crítica ao nome negativado
Lula criticou o impacto do nome negativado sobre o acesso ao crédito. “Não é correto um cidadão estar com o nome sujo por causa de uma dívida de R$ 100”, afirmou. Ele acrescentou: “O mercado transforma esse cidadão num clandestino.” O presidente disse que o programa busca reduzir o peso de dívidas antigas e reorganizar a vida financeira das famílias. “Nós vamos criar as condições para vocês diminuírem o endividamento e pagarem dívidas que não conseguem pagar há muito tempo”, completou.
Restrições e detalhes do programa
Lula mencionou restrições previstas no programa: “Vocês não podem continuar jogando. Por isso estamos proibindo, durante um ano, o uso de recursos para apostas.” O programa de renegociação de dívidas tem duração de 90 dias. O público-alvo são pessoas com renda de até 5 salários mínimos. Abrange dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O limite da dívida renegociada é de até R$ 15 mil por pessoa. É permitido o uso de até 20% do FGTS (ou R$ 1 mil) para quitar débitos.
