TCU identifica indícios de improbidade administrativa
Uma auditoria técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou indícios de improbidade administrativa na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A análise, concluída pela área especializada do tribunal, encontrou “fortes indícios” de falta de diligência na condução do processo.
O caso ganhou contornos mais complexos por envolver dinheiro público, uma vez que o governo do Distrito Federal é o maior acionista do BRB.
Banco Central nega aquisição por falta de documentos
Em setembro de 2025, o Banco Central (BC) negou a aquisição do Master pelo BRB. A decisão foi unânime entre os diretores do órgão regulador.
O BC apontou a ausência de documentos capazes de comprovar a viabilidade econômico-financeira do negócio. A tentativa de fusão foi barrada na fase de análise regulatória.
Inconsistências nos valores dos ativos
Divergência de mais de R$ 6 bilhões
Entre as irregularidades identificadas pelo TCU, o tribunal citou divergências nos valores dos ativos financeiros envolvidos na transação.
- Valor inicial indicado pelo BRB: R$ 25 bilhões
- Valor posteriormente apresentado: mais de R$ 31 bilhões
Para os auditores, o governo do Distrito Federal ignorou essas inconsistências durante todo o processo de negociação.
Tentativas de contornar a decisão do BC
Três acionamentos do TCU
A auditoria identificou três acionamentos do TCU pelo governo distrital na tentativa de viabilizar a compra.
Na primeira tentativa, o pedido ocorreu na véspera da decisão do Banco Central. O governo solicitou acompanhamento técnico do prazo de análise, citando risco à segurança jurídica do negócio.
Segundo o TCU, o governo utilizou a Corte como “via recursal inadequada”, em uma estratégia que buscaria contornar a decisão do órgão regulador.
Encaminhamento ao Ministério Público
Com a conclusão da auditoria, o tribunal sugeriu o envio das informações coletadas ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
Essa medida visa permitir que as autoridades competentes avaliem os indícios de irregularidade e decidam sobre possíveis ações judiciais.
O relatório do TCU serve como documento técnico que detalha as falhas identificadas no processo, oferecendo subsídios para investigações futuras.
Impactos e desdobramentos esperados
Fragilidades nos mecanismos de controle
O caso expõe fragilidades nos mecanismos de controle de operações que envolvem instituições financeiras públicas.
A tentativa de aquisição, agora sob suspeita, pode gerar questionamentos sobre:
- A governança corporativa do BRB
- A atuação do governo distrital como acionista
A reação do Banco Central demonstra o rigor do órgão na análise de fusões bancárias, especialmente quando há indícios de irregularidades.
Os próximos capítulos dessa história dependerão das investigações do Ministério Público e de eventuais providências administrativas.
