No plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), os gestos e movimentos dos ministros revelaram tensões e aproximações que não foram captadas pelas câmeras oficiais. Ao final da sessão desta terça-feira, o presidente da Corte, Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino se abraçaram, enquanto André Mendonça deixou o recinto por último, em fila indiana com Luiz Fux. O encontro ocorreu após um intenso debate sobre a validade das investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
A sessão foi marcada por trocas de olhares e reações silenciosas. Durante a questão de ordem levantada pelo decano, Mendonça e Fux balançaram a cabeça em sinal de negativa. A plateia, composta majoritariamente por assessores dos gabinetes e jornalistas, não pôde utilizar celulares ou notebooks, o que limitou o registro dos bastidores.
Ao encerrar os trabalhos, Fachin desceu da presidência e foi cumprimentado por alguns colegas. Moraes falou rapidamente com Toffoli e depois se aproximou de Gilmar Mendes. Dino, após conversar com Mendonça, dirigiu-se ao presidente do tribunal e lhe deu um abraço. O gesto, embora discreto, contrastou com a seriedade do julgamento em curso.
Depois do embate entre os ministros, houve um momento de descontração. Os magistrados conversaram e riram no curto trajeto do plenário até a sala reservada para o café. Cármen Lúcia estava entre eles. Fux e Mendonça deixaram o plenário por último, em fila indiana, sem pressa. A fonte não detalhou o conteúdo das conversas.
Reações silenciosas durante a sessão
Ao longo da sessão, os ministros balançaram a cabeça em sinal de apoio ou irritação às falas transmitidas ao vivo. O gesto de negativa de Mendonça e Fux durante a questão de ordem do decano sinalizou discordância com o encaminhamento proposto. A ausência de celulares e notebooks na plateia impediu que esses momentos fossem amplamente divulgados em tempo real.
A fileira de honra, destinada a ministros aposentados, permaneceu vazia. Nenhum dos magistrados que integraram a Corte em outras formações compareceu. Na primeira fileira, diante dos ministros, estava o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), seção nacional. A presença do representante da advocacia reforçou o interesse institucional no caso.
A sessão teve transmissão ao vivo, mas os bastidores ficaram restritos aos presentes. A fonte não detalhou se houve outros cumprimentos ou conversas informais além dos relatados.
O caso que divide o STF
O pano de fundo do encontro é uma investigação sensível. O relatório indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes. A suspeita levantou questionamentos sobre a conduta do magistrado e gerou um embate processual entre os próprios ministros.
Antes que fosse autorizado o andamento das investigações, o ministro André Mendonça remeteu o caso ao plenário do STF. Agora, os ministros analisam se a Polícia Federal poderá ou não prosseguir com as apurações. A decisão de Mendonça foi interpretada como uma tentativa de dar transparência ao processo, mas também provocou críticas de colegas.
Em manifestação em 1º de setembro, a Procuradoria Geral da República afirmou que o procedimento da PF foi inválido por duas razões. A primeira: Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF. A segunda: uma investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte e deveria ser encaminhada à Presidência do Tribunal.
Guerra de liminares e decisões
O contra-ataque processual de Moraes se baseia em um relatório de inteligência da PF contra Mendonça. O documento interno e sem valor probatório indica que o ministro teria direcionado as investigações do Master contra Moraes. A validade do documento culminou em uma guerra de liminares para afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Por decisão de Fachin, Rodrigues se mantém na chefia da corporação até que haja uma análise mais aprofundada sobre o tema. O presidente do STF também marcou o julgamento separado do caso para 23 de setembro. A expectativa é que o plenário defina os limites da atuação da PF e a legalidade das diligências já realizadas.
A divergência entre os ministros ficou evidente durante a sessão. Enquanto alguns defendiam a continuidade das investigações, outros questionavam a forma como o caso foi conduzido. A fonte não detalhou os votos ou manifestações individuais, mas os gestos observados indicaram divisão.
Bastidores e clima entre os ministros
O abraço entre Fachin e Dino, fora das câmeras, pode ser interpretado como um sinal de cordialidade em meio à tensão. Dino, que assumiu recentemente a cadeira no STF, tem se aproximado do presidente da Corte em discussões processuais. O gesto não foi captado pelas transmissões oficiais, mas foi presenciado por assessores e jornalistas presentes.
Após o encerramento, os ministros se dirigiram à sala do café em clima de aparente descontração. Cármen Lúcia acompanhou o grupo, e as conversas incluíram risos, segundo relatos. Fux e Mendonça, que haviam sinalizado negativa durante a sessão, deixaram o plenário por último, em fila indiana. A ordem de saída pode refletir a posição de cada um no debate.
A ausência de ministros aposentados na fileira de honra chamou atenção. Em sessões de grande repercussão, é comum a presença de ex-integrantes da Corte. A fonte não detalhou se houve convite formal ou se a ausência foi voluntária.
Próximos passos do julgamento
Com o julgamento separado marcado para 23 de setembro, o STF terá que decidir se a PF pode prosseguir com as investigações sobre os contratos do Banco Master. A manifestação da PGR, que considerou o procedimento inválido, será um dos pontos centrais do debate. Os ministros também avaliarão a legalidade do relatório de inteligência usado por Moraes contra Mendonça.
A permanência de Andrei Rodrigues na chefia da PF, garantida por liminar de Fachin, pode ser revista. A guerra de liminares evidenciou a disputa interna no tribunal. A fonte não detalhou se haverá novas manifestações das partes antes do julgamento.
O episódio dos bastidores, com o abraço entre Fachin e Dino e a saída tardia de Mendonça, ilustra a complexidade das relações no STF. Enquanto as câmeras mostram o debate formal, os gestos fora do ar revelam alianças e tensões que podem influenciar os rumos do caso.
