A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta no medo da perda de benefícios sociais para vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Para isso, agentes de uma força-tarefa deflagraram esta semana uma avalanche digital de mentiras sobre propostas do adversário. O movimento nas plataformas online, chamado de “terrorismo eleitoral” pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), começou com força nesta quarta-feira (8), apoiado por influenciadores como o deputado André Janones (Rede-MG) e deputados eleitos Pedro Rousseff (PT-MG) e Ana Elisa (PT-MG).
Estratégia do medo mobiliza aliados de Lula
Lula orientou os aliados a advertir beneficiários de programas sociais e aposentados sobre possíveis cortes nos benefícios em um eventual governo Flávio. A estratégia ganhou corpo na reorganização da campanha logo após o primeiro turno, quando o petista ficou atrás do rival, buscando reversão. Nesse ambiente, a equipe de Flávio identificou uma “onda descomunal de desinformação”. Relatórios diversos mostram mensagens espalhadas nas redes, no WhatsApp e no Telegram atribuindo ao candidato planos de privatizar o SUS, extinguir o Bolsa Família e eliminar direitos trabalhistas.
Uma publicação apresenta aposentadoria aos 75 anos para homens e aos 72 para mulheres, além de jornada diária de 12 horas. O conteúdo mistura a defesa de novas reformas com medidas que Marinho não anunciou. A postagem viralizou logo. Outras usaram falas adulteradas em vídeos. O programa de Flávio não sustenta nenhuma das afirmações maliciosas.
Conteúdos falsos distorcem propostas reais
A checagem da imprensa identificou compromissos de preservar programas sociais, combater fraudes previdenciárias e reduzir custos do trabalho sem tirar direitos. A equipe do candidato negou todas as medidas associadas a ele. Uma das montagens levadas ao ar mostra o programa para contratar atendimento privado complementar como meio de privatização do SUS. Já a ampliação das negociações trabalhistas foi apresentada como eliminação de direitos, com esforço para acabar com a CLT, o 13º salário e as férias.
Essas distorções circulam em grupos de mensagens e perfis de redes sociais, alcançando eleitores de baixa renda e idosos. A narrativa busca criar pânico e rejeição ao candidato adversário. A campanha de Flávio reage com postagens de desmentidos enquanto discute respostas do candidato, além de checagens e ações judiciais para identificar autores.
Antecedente religioso e paralelo com 2014
A ofensiva foi antecedida ainda na reta final da campanha do primeiro turno pelo boato de que Flávio tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. As publicações associavam um projeto arquivado em 2008 ao candidato, que negou o desejo, apontando a mentira a militantes do PT. O episódio de “guerra santa”, buscando colocar católicos contra evangélicos, foi explorado por aliados de Lula, incluindo a primeira-dama Rosângela “Janja” Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Essa exploração política parece não ter produzido o resultado esperado na urna.
O paralelo histórico remete a 2014, quando a propaganda de Dilma Rousseff (PT) atacou a rival Marina Silva, então no PSB, na campanha de primeiro turno por defender a autonomia do Banco Central (BC). Na tevê, banqueiros sorriam enquanto desaparecia a comida dos pratos na mesa de uma família. A tática de associar o adversário a perdas econômicas e sociais não é nova, mas agora ganha escala digital.
Reação e desafios jurídicos
Na atual sanha de desinformação do PT contra adversários, a campanha de Flávio reage com postagens de desmentidos enquanto discute respostas do candidato, além de checagens e ações judiciais para identificar autores. O desafio é impedir que eleitores desavisados se convençam de falsidades. A equipe jurídica avalia medidas para responsabilizar os disseminadores, mas a velocidade das redes dificulta o controle.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a desinformação pode configurar abuso de poder, mas a identificação de autores é complexa. Enquanto isso, a campanha de Lula segue apostando no medo como motor de voto. A fonte não detalhou se haverá novas frentes de checagem ou parcerias com plataformas.
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