A dívida pública federal brasileira atingiu R$ 8,64 trilhões em dezembro de 2024, conforme dados oficiais divulgados. O resultado final do ano ficou dentro da faixa estimada pelo governo, que previa um estoque entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões.

Principais fatores do aumento em dezembro

O avanço do estoque total da dívida no último mês do ano foi resultado principalmente de dois componentes:

  • Emissão líquida positiva de títulos: R$ 59,9 bilhões
  • Apropriação positiva de juros: R$ 94,8 bilhões

Esses dois fatores combinados explicam a maior parte da elevação registrada no período.

Detalhamento das emissões e resgates

As emissões brutas da dívida pública totalizaram R$ 65,8 bilhões no mês. Em contraste, os resgates alcançaram R$ 5,9 bilhões, resultando na emissão líquida positiva já mencionada. Esse movimento reflete a necessidade de financiamento do governo federal no final do ano.

Composição entre dívida interna e externa

A maior parte da dívida pública federal é composta por títulos internos. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) atingiu R$ 8,31 trilhões, o equivalente a 96,22% do total.

Evolução da dívida interna

Esse segmento avançou 1,76% em dezembro, impulsionado por:

  • Emissão líquida: R$ 60,8 bilhões
  • Incorporação de juros: R$ 82,8 bilhões

Evolução da dívida externa

Por outro lado, a dívida externa (DPFe) somou R$ 326 bilhões, com participação de 3,78% no estoque total. Esse componente teve alta de 3,53% no último mês do ano, influenciada principalmente pela valorização cambial. Apesar do crescimento percentual mais expressivo, seu peso relativo permanece minoritário.

Perfil dos títulos emitidos no mês

As emissões de dezembro mostraram uma concentração em títulos atrelados à taxa básica de juros. Do total de papéis colocados no mercado:

  • 60,5% foram indexados à taxa Selic
  • 22,7% corresponderam a títulos prefixados
  • 16,7% foram papéis indexados à inflação (IPCA)

As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), também conhecidas como Tesouro Selic, somaram sozinhas R$ 34,3 bilhões em emissões no período.

Mudanças no prazo médio da dívida

O prazo médio da dívida pública federal apresentou uma leve redução em dezembro. O indicador caiu de 4,08 anos para 4,00 anos no último mês do ano.

Detalhamento por tipo de dívida

  • Dívida interna: prazo médio passou de 3,96 anos para 3,89 anos
  • Dívida externa: prazo médio recuou de 7,01 anos para 6,96 anos

Essa mudança reflete alterações no perfil de vencimentos dos títulos em circulação.

Concentração de vencimentos no curto prazo

Uma parcela significativa da dívida pública federal vence em um horizonte temporal reduzido. Dados de dezembro mostram que 17,46% do estoque total tem vencimento em até 12 meses.

Essa concentração exige atenção constante do Tesouro Nacional para o refinanciamento desses compromissos. A gestão dos vencimentos de curto prazo é um aspecto crucial para a sustentabilidade da dívida.

Resultado dentro das projeções oficiais

O estoque da dívida encerrou o ano dentro do intervalo previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF). Para 2024, o governo estimava que a dívida ficasse entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões.

O resultado final de R$ 8,64 trilhões situa-se quase no meio dessa faixa. O cumprimento da meta projetada indica que a execução da política de endividamento seguiu os parâmetros estabelecidos.

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