Ataque a hospital provoca fuga de pacientes com suspeita de ebola

Um ataque a uma unidade de saúde no leste do Congo resultou na fuga de 18 pessoas com suspeita de infecção pelo vírus ebola. O incidente ocorreu na noite de sexta-feira (22), na cidade de Mongbwalu, considerada o epicentro do surto. Homens não identificados atearam fogo à estrutura montada pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, destinada a atender casos suspeitos e confirmados da doença.

Incêndio criminoso e desaparecimento de suspeitos

Segundo o diretor do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, Richard Lokudi, após o ataque, 18 pessoas com suspeita de infecção fugiram da unidade de saúde e desapareceram. Autoridades locais divulgaram que o incêndio criminoso aconteceu na mesma noite. A estrutura atingida era utilizada para isolar e tratar pacientes com ebola, o que aumenta o risco de propagação do vírus.

Este não foi o único episódio de violência relacionado ao surto. Na quinta-feira (21), familiares incendiaram outro centro, na cidade de Rwampara, depois de serem impedidos de recuperar o corpo de um homem suspeito de ter morrido com a doença. O vírus é altamente contagioso mesmo após a morte da pessoa, podendo ser transmitido em funerais e enterros.

Resistência comunitária dificulta controle do surto

A resistência das comunidades locais às medidas sanitárias tem sido apontada pelos organismos internacionais como o principal obstáculo ao controle do surto. A desconfiança em relação às equipes de saúde e às práticas de enterro seguro tem gerado confrontos e dificultado o trabalho das autoridades.

Cepa Bundibugyo: um desafio adicional

O surto está sendo causado pela cepa Bundibugyo do vírus, para a qual não existe vacina disponível. Essa variante é menos comum, o que atrasou a identificação do surto. O vírus circulou sem ser detectado durante semanas na província de Ituri, após a primeira morte conhecida, enquanto as autoridades realizavam testes para outra variante mais comum de ebola, com resultados negativos. Isso atrasou a identificação do surto.

Voluntários da Cruz Vermelha mortos

A Federação Internacional da Cruz Vermelha informou neste sábado que três de seus voluntários morreram por causa do surto em Mongbwalu. A organização acredita que os três trabalhadores de saúde contraíram o vírus em 27 de março, enquanto manipulavam cadáveres em uma missão humanitária não relacionada ao ebola. Se confirmado, isso significaria que o surto começou muito antes do que se pensava.

As autoridades de saúde continuam em alerta, tentando localizar os pacientes desaparecidos e conter a propagação do vírus. A situação na região permanece tensa, com novos incidentes de violência sendo registrados.

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