Delegado da PF é expulso dos EUA

O Departamento de Estado dos Estados Unidos determinou, na tarde desta segunda-feira (20), a saída compulsória do país do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho. Ele atuava como oficial de ligação brasileiro junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).

O governo norte-americano não detalhou oficialmente os motivos específicos da expulsão. A PF informou que não foi comunicada previamente sobre a medida. O Itamaraty disse que não comentaria o caso.

Relação com a detenção de Ramagem

A expulsão tem origem direta na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ele foi detido pelo ICE em 13 de abril, em Orlando, na Flórida, após uma abordagem por infração de trânsito.

Durante a verificação da documentação, constatou-se que o passaporte diplomático de Ramagem estava inválido. O documento havia sido anulado pela Câmara em dezembro de 2025, após a cassação de seu mandato.

Cooperação policial questionada

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a prisão foi fruto de “cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA no combate ao crime organizado”.

Segundo reportagem da BBC, a prisão de Ramagem foi articulada meses antes entre a Polícia Federal e autoridades migratórias americanas. No entanto, o documento usado para justificar a detenção não citava crimes praticados no Brasil nem pedido formal de extradição.

Liberação e reação de Ramagem

Dois dias após a detenção, o ICE comunicou à PF que Ramagem foi liberado por “decisão administrativa” e poderia permanecer nos EUA. O ex-parlamentar agradeceu à “alta cúpula da administração Trump” pela soltura e criticou o diretor-geral da PF, defendendo seu afastamento.

A expulsão do delegado ocorre neste contexto, mas sem explicações oficiais adicionais por parte dos EUA.

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