O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, entregou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento com propostas sobre Pix, Mercosul e redes sociais. Ele pede o adiamento, por 180 dias, da eventual aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O parlamentar argumenta que uma decisão antes das eleições poderia beneficiar politicamente o presidente Lula (PT). Além da suspensão temporária, Flávio apresenta compromissos que afirma adotar caso seja eleito, abordando temas como Pix, comércio exterior, Mercosul, regulação das redes sociais e combate à corrupção.
Defesa do Pix e meios de pagamento
No documento, o senador defende o Pix e afirma que o sistema representa um dos principais legados do governo Jair Bolsonaro. Flávio garante que o Pix não será integrado a sistemas internacionais de pagamentos instantâneos considerados “não ocidentais”. O texto também propõe reduzir a carga regulatória e tributária sobre outros meios de pagamento, como o setor de cartões de crédito. Segundo ele, a medida ampliaria a concorrência e aumentaria as opções disponíveis aos consumidores.
Flexibilização do Mercosul
Flávio afirma que pretende ampliar negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos caso chegue ao Palácio do Planalto. Para isso, sustenta que buscará alternativas para flexibilizar as regras do Mercosul, argumentando que o bloco limita acordos comerciais diretos com outros países. O senador cita a política econômica adotada pelo governo do presidente argentino Javier Milei como referência.
Críticas ao Judiciário e redes sociais
A atuação do Judiciário brasileiro sobre plataformas digitais também integra a manifestação encaminhada ao governo americano. O senador critica decisões relacionadas à remoção de conteúdos e bloqueio de perfis em redes sociais. Ele afirma que mudanças nesse cenário dependeriam de alterações na composição política do Senado. Segundo Flávio, um fortalecimento da oposição poderia permitir o avanço de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atualmente parados na Casa.
Combate à corrupção e tarifas
O documento também defende que eventuais medidas adotadas pelos Estados Unidos sejam direcionadas a autoridades específicas, e não a produtos brasileiros. Ao responder às críticas do governo americano sobre combate à corrupção, Flávio afirma que os principais escândalos nacionais estiveram ligados a governos do PT. Ele cita casos como Mensalão, Lava Jato, fraudes no INSS e investigações envolvendo o Banco Master. Na manifestação, o senador sustenta que a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro não registrou esquemas de corrupção sistêmica comparáveis aos citados.
Participação em audiência nos EUA
Flávio participará nesta semana de audiência pública promovida pelo USTR, etapa da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil. Ao desembarcar em Washington, o senador afirmou que viajou ao país para defender empresas brasileiras diante da possibilidade de novas tarifas. A investigação conduzida pelo USTR questiona práticas comerciais brasileiras relacionadas ao Pix, ao Mercosul, à proteção da propriedade intelectual, ao combate à corrupção, ao mercado de etanol e à atuação das autoridades brasileiras sobre plataformas digitais. Enquanto isso, o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas com a administração norte-americana e apresentou sua própria manifestação ao USTR, defendendo que a imposição de novas tarifas teria impactos negativos para as economias dos dois países.
