O Grupo Mateus, uma das maiores redes varejistas do Nordeste, confirmou o fechamento de 28 lojas e a redução de 6,7 mil postos de trabalho em seis estados da região. A informação foi divulgada no balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026, que apontou uma queda de 13,9% no quadro de funcionários das operações diretamente controladas pelo grupo. A reestruturação atingiu unidades localizadas no Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
De acordo com os dados, o número de trabalhadores caiu de aproximadamente 47,9 mil em dezembro de 2025 para 41,2 mil ao final de março de 2026. A empresa não detalhou quantos postos foram eliminados em cada estado, mas afirmou que os cortes foram necessários para realizar ajustes operacionais em toda a rede. Os números não incluem as operações do Novo Atacarejo em Pernambuco, Paraíba e Alagoas.
A decisão de reduzir a estrutura ocorre após um período de forte expansão, marcado pela integração com o Novo Atacarejo. A incorporação aumentou a presença do grupo no Nordeste, mas também elevou despesas operacionais e trouxe unidades com diferentes níveis de rentabilidade. Diante desse cenário, a companhia optou por uma revisão de sua malha de lojas e de seu quadro de colaboradores.
Reestruturação após expansão acelerada
A trajetória de crescimento do Grupo Mateus nos últimos anos foi intensa, com a abertura de novas unidades e a aquisição de redes regionais. A integração com o Novo Atacarejo, concluída recentemente, ampliou a capilaridade da empresa em estados como Pernambuco, Paraíba e Alagoas. No entanto, essa expansão trouxe consigo um aumento significativo nas despesas operacionais, que passaram a pressionar as margens de lucro.
Além disso, a incorporação de lojas com diferentes níveis de rentabilidade exigiu uma análise criteriosa sobre quais unidades deveriam permanecer em operação. O fechamento de 28 lojas reflete essa avaliação, com foco em unidades consideradas menos eficientes ou localizadas em mercados com menor potencial de retorno. A empresa não divulgou a lista das lojas fechadas, mas os estados afetados foram Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
A redução de 6,7 mil funcionários acompanha o enxugamento da estrutura física. O grupo afirmou que os cortes foram necessários para adequar a força de trabalho à nova realidade operacional, sem detalhar os critérios utilizados para a seleção dos desligamentos. A medida, embora drástica, é vista como parte de um esforço para recuperar a rentabilidade e garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo.
Resultados financeiros e pressão de custos
No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida do Grupo Mateus alcançou R$ 9,4 bilhões, um crescimento de 13% na comparação anual. Apesar do avanço na receita, as despesas operacionais subiram 29,3%, totalizando R$ 1,6 bilhão. Esse descompasso entre receita e despesas pressionou as margens da companhia e reforçou a necessidade de controle de custos.
O aumento das despesas está relacionado, em parte, à integração das operações do Novo Atacarejo e aos investimentos realizados em tecnologia e logística. No entanto, o cenário macroeconômico também contribuiu para a piora dos resultados. O grupo enfrentou vendas mais fracas nas mesmas lojas, deflação de alimentos, restrição de crédito e maior endividamento das famílias, fatores que reduziram o ritmo de consumo, especialmente no Nordeste, principal mercado da companhia.
A combinação de custos elevados e demanda enfraquecida levou a administração a adotar uma postura mais conservadora. A reestruturação, com fechamento de lojas e redução de pessoal, é uma das principais medidas para reequilibrar as finanças. A expectativa é que a economia gerada com os cortes ajude a compensar a pressão sobre as margens nos próximos trimestres.
Estratégia para 2026: foco em rentabilidade
Apesar dos fechamentos, o Grupo Mateus continuou inaugurando unidades de varejo alimentar consideradas mais rentáveis. A estratégia anunciada para 2026 prevê um ritmo menor de expansão, com maior rigor na escolha dos investimentos. A prioridade passa a ser a redução da dívida e a geração de caixa, em detrimento do crescimento acelerado.
Essa mudança de postura reflete um amadurecimento da gestão diante de um ambiente econômico mais desafiador. A empresa busca consolidar sua posição no Nordeste, mas sem comprometer a saúde financeira. O foco em lojas mais rentáveis indica uma seleção criteriosa de projetos, priorizando aqueles com maior potencial de retorno sobre o capital investido.
O Grupo Mateus não detalhou quantas lojas serão abertas em 2026, mas sinalizou que o número será inferior ao dos anos anteriores. A redução do quadro de funcionários e o fechamento de unidades menos produtivas são passos importantes para alinhar a estrutura de custos à nova estratégia. A expectativa é que essas medidas tragam resultados positivos já nos próximos balanços.
Impactos regionais e perspectivas
O fechamento de 28 lojas e a redução de 6,7 mil postos de trabalho têm impactos significativos nas economias locais dos seis estados afetados. A perda de empregos no setor varejista, que é um dos maiores empregadores do Nordeste, pode afetar o consumo e a renda das famílias. No entanto, a empresa justifica a medida como necessária para garantir a competitividade e a continuidade das operações.
Especialistas do setor avaliam que a reestruturação do Grupo Mateus reflete uma tendência mais ampla no varejo brasileiro, que tem passado por ajustes após anos de expansão agressiva. A busca por eficiência operacional e a adaptação às mudanças no comportamento do consumidor são desafios comuns a grandes redes. A deflação de alimentos, por exemplo, pressiona as margens de empresas que dependem de volume de vendas.
Para os próximos meses, a atenção se volta para a capacidade do grupo de executar sua estratégia de redução de custos e melhoria da rentabilidade. A manutenção de um ritmo menor de expansão e o foco em lojas mais rentáveis são sinais de que a empresa está priorizando a sustentabilidade financeira. O mercado acompanhará de perto os resultados dos próximos trimestres para avaliar a eficácia das medidas adotadas.
O Grupo Mateus não divulgou projeções de receita ou lucro para o restante de 2026, mas reforçou o compromisso com a redução da dívida e a geração de caixa. A reestruturação em curso é um passo importante nessa direção, embora os impactos sociais dos cortes não possam ser ignorados. A empresa afirma que os ajustes são necessários para garantir a perenidade do negócio e a manutenção dos empregos remanescentes.
Fonte
- www.conexaopolitica.com.br
- Adicione o Conexão Política como sua fonte preferida Adicione o Conexão como fon (www.google.com)
- G Siga o Conexão no Google (www.google.com)
