Nesta quarta-feira (5), o vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, afirmou que Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vive em condições precárias em Madri, na Espanha. Assim sendo, a declaração foi dada em entrevista ao portal Poder360, em um momento em que o filho do presidente é alvo de três investigações que apuram um suposto tráfico de influência.

Condições de vida em Madri

Na entrevista, Quaquá disse que Lulinha vive em condições espartanas e precárias, compatíveis com a classe média. Segundo ele, portanto, a situação não condiz com alguém que teria se beneficiado indevidamente do cargo do pai.

O dirigente petista, ademais, afirmou que, se os filhos de Lula tivessem cometido ilicitudes, hoje estariam ricos de fato, teriam uma Ferrari ou seriam sócios de uma grande empresa. Além disso, ele ressaltou que já conversou com Lulinha sobre as investigações e que a ausência de sinais de enriquecimento indica que não houve desvio de conduta.

Dessa forma, as declarações de Quaquá buscam rebater as suspeitas que recaem sobre o filho do presidente. Lulinha é alvo de três investigações que apuram um suposto tráfico de influência; contudo, segundo o vice-presidente do PT, a realidade do jovem é distante da riqueza.

Ruído político e ‘falso moralismo’

Quaquá admitiu que o caso gera “ruído” para a campanha de reeleição do presidente Lula. Ele criticou, ademais, a política feita na “antessala das delegacias” e o que chamou de “falso moralismo”. Para o vice-presidente do PT, as investigações têm sido usadas de forma a desgastar o governo e criar um ambiente de suspeição.

O dirigente petista, por outro lado, comentou a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula nas eleições deste ano. Gaspar, contudo, foi relator da CPMI do INSS e pediu o indiciamento de Lulinha. Segundo Quaquá, portanto, essa movimentação reforça o que ele considera “falso moralismo” e a utilização das investigações com fins eleitorais.

A indicação de Gaspar é vista pelo dirigente petista como uma estratégia para manter o tema das investigações em pauta. Ele criticou, sobretudo, a política feita na “antessala das delegacias”, referindo-se ao uso de inquéritos e comissões para atacar adversários. Para Quaquá, consequentemente, essa prática compromete a credibilidade das apurações e demonstra uma tentativa de transformar o sistema de justiça em palanque.

Defesa de Marcola

Além disso, Quaquá saiu em defesa de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete e ex-secretário pessoal de Lula. Ele afirmou ainda que conhece Marcola há muitos anos, apesar de não serem próximos, e o descreveu como uma pessoa “muito discreta e muito séria”.

Marcola admitiu ter feito um empréstimo em caráter privado com a empresária Roberta Luchsinger, que é investigada pela Polícia Federal. Para Quaquá, todavia, não há irregularidade nem ilicitude em obter empréstimos de conhecidos, desde que haja comprovação de pagamento. Ele argumentou, além disso, que operações desse tipo são comuns e não configuram, por si só, qualquer ato ilícito.

O vice-presidente do PT, por outro lado, reforçou a confiança em Marcola, destacando sua discrição e seriedade. Segundo Quaquá, portanto, a realização de um empréstimo privado não deve ser tratada como evidência de crime. As declarações, em resumo, fazem parte de uma postura de defesa de Lula e de seu círculo mais próximo, em um momento de intensa disputa política.

Contexto eleitoral

De acordo com Quaquá, as investigações envolvendo Lulinha e as menções a Marcola fazem parte de um cenário de “falso moralismo”. Ele voltou a criticar, sobretudo, a política feita nas delegacias e a forma como alguns setores lidam com casos sensíveis. A discussão, no entanto, ocorre em meio à proximidade das eleições, quando opositores buscam desgastar o governo.

Em resumo, as falas de Quaquá concentram-se na defesa de Lulinha e de Marcola, além de críticas ao que ele considera “falso moralismo” e uso político das investigações. Além disso, ele relacionou a escolha de Alfredo Gaspar à tentativa de manter o tema em evidência. Dessa forma, as manifestações ocorrem em um contexto de campanha eleitoral.

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