Uma auditoria interna do Banco Regional de Brasília (BRB) revelou movimentações financeiras que levantaram suspeitas sobre repasses do banco Master a escritórios de advocacia. De acordo com a Polícia Federal, o banco de Daniel Vorcaro teria pago R$ 33 milhões a uma ex-diretora do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), instituição historicamente ligada ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. A informação consta de relatório obtido pela PF e divulgado nesta quarta-feira.

Além desse montante, o levantamento identificou repasses no valor de R$ 40 milhões ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo os documentos, Vorcaro teria firmado um contrato de R$ 131 milhões com o escritório, valor considerado bem acima da média de mercado. A auditoria apontou que os gastos com advogados no período foram três vezes maiores do que no ano anterior.

A movimentação foi localizada em uma auditoria interna realizada pelo BRB sobre a operação com o Master. Os documentos apontaram suspeitas nas movimentações de valor elevado do banco de Daniel Vorcaro a escritórios de advocacia. A PF agora investiga se os pagamentos têm relação com decisões judiciais ou influência indevida.

Ex-diretora do IDP nega vínculo com Master

A ex-diretora citada no relatório, Dalide Correa, informou em nota que nunca prestou serviços à instituição de Daniel Vorcaro. A assessoria de Gilmar Mendes não quis se manifestar sobre o caso. A relação entre Dalide e Gilmar Mendes teve início quando o atual ministro do STF era advogado-geral da União, entre 2000 e 2002, enquanto ela atuava no setor jurídico da Caixa Econômica Federal. A relação foi rompida em 2017, quando a advogada deixou o cargo de chefia no IDP.

A negativa de Dalide contrasta com os dados da auditoria, que apontam os repasses em nome dela. A fonte não detalhou se os pagamentos foram feitos diretamente à advogada ou a um escritório vinculado a ela. A PF deve ouvir as partes envolvidas para esclarecer a natureza dos pagamentos.

Contrato de R$ 131 milhões com escritório de Moraes

O relatório do BRB também destaca o contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Desse total, R$ 40 milhões teriam sido efetivamente repassados. O valor é considerado bem acima da média de mercado para serviços advocatícios, o que chamou a atenção dos auditores. A PF investiga se o contrato foi usado para mascarar pagamentos indevidos.

Viviane Barci de Moraes é esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A fonte não detalhou se o ministro tinha conhecimento do contrato ou se há qualquer irregularidade na conduta dele. O escritório não se manifestou publicamente sobre o caso até o momento.

Auditoria aponta gastos três vezes maiores com advogados

Em trecho do relatório do BRB obtido pela PF, os auditores identificaram um gasto três vezes maior com advogados do que no ano anterior. Esse aumento expressivo, somado aos valores elevados e à proximidade dos beneficiários com ministros do STF, motivou o aprofundamento das investigações. A auditoria foi realizada no contexto da operação do BRB com o banco Master, que já era alvo de outras apurações.

Os auditores não detalharam se os pagamentos foram feitos por serviços efetivamente prestados ou se há indícios de simulação. A PF deve solicitar documentos complementares e ouvir testemunhas para avançar nas apurações.

Investigação segue em andamento

A Polícia Federal ainda não concluiu o inquérito e não divulgou se haverá indiciamentos. As suspeitas recaem sobre a possibilidade de tráfico de influência ou lavagem de dinheiro, mas a fonte não detalhou os tipos penais investigados. O banco Master e o BRB não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.

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