O ministro Kassio Nunes Marques bloqueou Gilmar Mendes no WhatsApp após receber cobranças do decano do Supremo Tribunal Federal sobre os processos relacionados ao Banco Master. As mensagens foram trocadas na semana anterior à sessão extraordinária desta terça-feira (15). Gilmar, segundo informações da Folha de S.Paulo, exigiu que Kassio e Luiz Fux deixassem os julgamentos envolvendo o banco diante das menções aos filhos dos dois ministros em documentos do caso.
Cobranças de Gilmar e bloqueio no WhatsApp
“Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar. A cobrança fazia referência a Kevin Marques, filho de Kassio, e Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux. Kassio reagiu e pediu respeito ao colega. Gilmar insistiu que ele não deveria participar dos processos e defendeu que o ministro também deixasse a presidência do Tribunal Superior Eleitoral. O decano afirmou ainda que a família de Kassio estaria envolvida em “tramoias”.
Kassio negou irregularidades, disse que presta contas de sua vida financeira há 15 anos e bloqueou Gilmar no aplicativo.
As cobranças estão relacionadas a informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O material menciona uma consultoria ligada a Kevin Marques e possíveis pagamentos associados ao Master. Kassio nega favorecimento e afirma que o filho não prestou serviços ao banco. A troca de mensagens revela a tensão nos bastidores do STF, com acusações diretas entre ministros. O bloqueio no WhatsApp é um gesto raro e simbólico, indicando o rompimento temporário da comunicação entre os dois magistrados.
Discussão com Luiz Fux e acusações
Gilmar também discutiu com Luiz Fux pelo WhatsApp. O decano acusou Fux de combinar com Kassio a antecipação de votos em um julgamento da Segunda Turma. Fux rejeitou a acusação e respondeu para Gilmar “não encher o saco”. A expressão, de tom coloquial e áspero, evidencia o clima de confronto entre os ministros. As mensagens não foram divulgadas na íntegra, mas os trechos revelados mostram a profundidade do desentendimento.
A fonte não detalhou o contexto exato da acusação de antecipação de votos, mas a menção à Segunda Turma sugere disputa sobre o controle de pauta e decisões colegiadas.
O embate entre Gilmar e Fux não é novo, mas ganhou contornos mais duros com as mensagens. A acusação de combinação de votos é grave, pois pode configurar quebra de decoro e imparcialidade. Fux, por sua vez, negou veementemente e usou linguagem informal para rechaçar a cobrança. A troca de farpas entre os dois ministros, ambos com longa trajetória no STF, reflete a polarização interna sobre casos sensíveis. A fonte não detalhou se houve outras comunicações após a resposta de Fux.
Julgamento na sessão extraordinária
Na sessão desta terça, Kassio declarou-se impedido de participar do julgamento sobre o procedimento envolvendo Alexandre de Moraes e Vorcaro. Dias Toffoli alegou suspeição e também não votou. O julgamento terminou empatado em 4 a 4 sobre a possibilidade de analisar conjuntamente os casos de Moraes e André Mendonça. A decisão foi adiada após Flávio Dino pedir vista. O empate reflete a divisão na Corte sobre questões processuais e de competência. A ausência de Kassio e Toffoli reduziu o quórum e contribuiu para o impasse.
O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise, sem data definida para retomada. A fonte não detalhou os argumentos dos ministros que votaram a favor ou contra a análise conjunta. O caso envolve a legalidade de procedimentos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça, ambos alvos de investigações ou questionamentos. A menção a Vorcaro conecta o julgamento às informações do celular do ex-banqueiro, que também embasaram as cobranças de Gilmar. A sessão extraordinária foi marcada por tensão e pela ausência de consenso.
Contexto das menções aos filhos dos ministros
As menções aos filhos de Kassio e Fux em documentos do caso Banco Master são o cerne das cobranças de Gilmar. Kevin Marques, filho de Kassio, teria uma consultoria mencionada no material extraído do celular de Daniel Vorcaro. Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, também aparece nos documentos, embora a fonte não tenha detalhado o teor exato das menções. Gilmar considerou que essas menções criam conflito de interesses e exigiu que os ministros se afastassem dos processos.
A exigência de “abrir as contas” sugere que o decano queria transparência financeira sobre as atividades dos filhos.
Kassio negou qualquer irregularidade e afirmou que presta contas de sua vida financeira há 15 anos. Ele também negou que o filho tenha prestado serviços ao Banco Master. A fonte não detalhou se Luiz Fux respondeu especificamente sobre as menções a Rodrigo Fux. O caso levanta questões sobre a ética e a imparcialidade no julgamento de processos que envolvem, direta ou indiretamente, familiares de ministros. A discussão sobre suspeição e impedimento é recorrente no STF, mas as mensagens de WhatsApp trouxeram o debate para o campo pessoal.
Reações e desdobramentos
O bloqueio de Gilmar por Kassio no WhatsApp é um episódio inédito e revela a deterioração das relações entre os ministros. A atitude de Kassio pode ser interpretada como uma forma de evitar novas cobranças ou como um rompimento simbólico. Gilmar, por sua vez, não comentou publicamente o bloqueio, mas suas mensagens anteriores mostram insistência nas cobranças. A fonte não detalhou se houve tentativa de reconciliação ou mediação por outros ministros.
O episódio ocorre em um momento de alta tensão no STF, com casos polêmicos em pauta e críticas externas à Corte.
O julgamento adiado por pedido de vista de Flávio Dino deixa em aberto a questão da análise conjunta dos casos de Moraes e Mendonça. A decisão final poderá ter impacto sobre a tramitação de outros processos relacionados ao Banco Master. A fonte não detalhou os próximos passos processuais. O clima de confronto entre os ministros, exposto pelas mensagens, pode influenciar a dinâmica das sessões futuras. A opinião pública acompanha com atenção os desdobramentos, especialmente diante da gravidade das acusações trocadas.
Fonte
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