O Ministério das Relações Exteriores do Brasil cancelou, nesta quinta-feira (23), o visto de um policial norte-americano que atuava em um programa de parceria entre a Polícia Federal e o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). O nome do agente permanece sob sigilo. A decisão baseia-se no princípio da reciprocidade, após o governo dos EUA expulsar o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho.

Medida ocorre após expulsão de delegado brasileiro

Marcelo Ivo de Carvalho atuou ilegalmente na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) nos Estados Unidos. Ele foi trabalhar nos EUA em março de 2023, em uma missão inicial de dois anos junto ao ICE. Em março de 2025, uma nova portaria prorrogou sua permanência por mais um ano, até 17 de agosto de 2026. Contudo, após a prisão de Ramagem, em 13 de abril, em Orlando (Flórida), o governo dos EUA determinou que o delegado deixasse o país. Houve uma tentativa de “contornar pedidos formais de extradição”.

Credenciais retiradas pela Polícia Federal

A medida do Itamaraty ocorre um dia depois de o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, retirar as credenciais do servidor norte-americano. Segundo o chefe da corporação, “o Itamaraty, também no campo da reciprocidade diplomática, tem feito reuniões, contatos”. A decisão de revogar o visto foi tomada após reuniões do Itamaraty. A pasta entendeu que a revogação seria a forma ideal de o Brasil impor a lei da reciprocidade aos EUA.

Reciprocidade como princípio diplomático

O princípio da reciprocidade é um instrumento clássico das relações internacionais, permitindo que um Estado adote medidas equivalentes às aplicadas por outro. No caso, a expulsão do delegado brasileiro foi interpretada como um ato hostil, levando o Brasil a responder de maneira proporcional. A revogação do visto do policial norte-americano simboliza essa reação, sem que haja, até o momento, outros desdobramentos públicos. A fonte não detalhou se novas medidas estão previstas.

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