O programa Bolsa Família registrou 3,9 milhões de cadastros unipessoais em julho, conforme publicação do portal Paulo Figueiredo. Além disso, o MDS atribui a variação aos fluxos normais de entrada e saída e afirma não identificar sinais de nova divisão artificial de cadastros. O cenário, no entanto, é marcado por uma concentração expressiva em diversos municípios, o que levanta questionamentos sobre a aplicação das regras.
O que são cadastros unipessoais?
Cadastros unipessoais são registros no Cadastro Único em que apenas uma pessoa compõe a família. Todavia, o formato é permitido pelas regras do Bolsa Família, mas pode ser alvo de utilização indevida. Ou seja, quando uma família se divide em vários cadastros, o valor do benefício pode aumentar.
O que diz o MDS
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) atribui a variação aos fluxos normais de entrada e saída do programa e afirma não identificar sinais de nova divisão artificial de cadastros. Isto é, a pasta define “divisão artificial” como a fragmentação de um mesmo núcleo familiar em cadastros unipessoais para aumentar o valor do benefício.
O MDS ressalta que a operação do Cadastro Único é de responsabilidade dos municípios, que aplicam as regras de seleção dos beneficiários. O governo federal, por sua vez, financia boa parte dos programas sociais. Dessa forma, a divisão de tarefas é explicada como parte do desenho de gestão do Bolsa Família.
Aumento de famílias
Em 2026, o número de famílias atendidas pelo programa voltou a subir, passando de 18,8 milhões para 19,3 milhões entre janeiro e julho. Além disso, esse crescimento ocorreu no mesmo período em que os cadastros unipessoais ganharam relevância. Dessa forma, a publicação indica que o programa ampliou sua cobertura total, mesmo com a alta dos registros individuais.
Contudo, o MDS reitera que a variação decorre de fluxos normais. A fonte não detalhou, no entanto, as causas específicas do incremento.
Municípios com maiores altas
Desde o fim de 2022, os cadastros unipessoais cresceram de forma expressiva em muitos municípios. Veja os números:
- 128 municípios tiveram aumento superior a 100% (o número de registros mais que dobrou).
- 211 municípios registraram crescimento entre 50% e 100%.
- 613 municípios tiveram alta entre 10% e 50%.
Somando as três faixas, ao menos 952 municípios apresentaram crescimento de 10% ou mais. Por outro lado, a fonte não detalhou a distribuição regional desses municípios, mas os números gerais mostram a amplitude do fenômeno.
Responsabilidades e eleições
O governo federal financia boa parte dos programas sociais, enquanto as prefeituras são responsáveis pela operação do Cadastro Único e pela aplicação das regras de seleção dos beneficiários. Assim sendo, essa divisão de responsabilidades é um dos pilares do programa.
O MDS afirma não ter identificado indícios de uso eleitoral do cadastro em 2026. Além disso, a declaração ocorre em um contexto de aumento dos registros unipessoais e de preocupação com possíveis interferências políticas. Contudo, a fonte não detalhou as medidas de controle adotadas nos municípios para evitar esse tipo de uso.
Concentração e análise
O cenário é ainda mais concentrado em 736 municípios, onde os unipessoais representam mais de 25% dos beneficiários. Por exemplo, em 35 cidades, a proporção chega a pelo menos 40%. Ademais, esses percentuais estão acima da média nacional, que não foi informada.
O MDS ressalta que ultrapassar a referência não significa, isoladamente, que exista irregularidade. Ou seja, a avaliação da pasta é de que cada caso precisa ser analisado em conjunto com outros fatores, como composição familiar e histórico de cadastro. Em resumo, a referência de 25% é um parâmetro de atenção, não um critério de irregularidade.
O número de 3,9 milhões de cadastros unipessoais em julho foi destacado pelo portal Paulo Figueiredo. Ademais, a publicação ressalta o crescimento em relação a períodos anteriores, mas não detalha a série histórica. O MDS, por sua vez, não comenta os dados individualmente, limitando-se a atribuir a variação a fluxos normais. Dessa forma, a análise dos números segue sendo tema de discussão, sem que o MDS aponte falhas.
