Investigação da Polícia Civil de São Paulo revela que o vereador Senival Moura (PT) teria desviado recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de uma estrutura paralela na empresa de ônibus Transunião. Diferentemente do ex-presidente da companhia, executado a mando da facção, Senival foi poupado devido à sua influência política e suposta capacidade de reparar o prejuízo com dinheiro público. A prisão do parlamentar, ocorrida nesta semana, colocou o PT no centro do debate sobre infiltração do crime organizado na política.
Roubo ao PCC e a execução de Adauto
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, em 2020, Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião Transportes S.A., foi executado por determinação do PCC. Pendrives e evidências ligados a Soares Jorge revelaram que ele operava uma estrutura paralela na empresa para a facção, incluindo frotas em nome de laranjas, lucros reais canalizados para cooperados com vínculos diretos ao PCC e um fluxo de recursos públicos desviado para a facção. Adauto foi morto. Senival foi poupado pelo que tinha a oferecer: influência política exercida pelo cargo de vereador e suposta capacidade financeira para reparar o prejuízo causado à organização roubando a máquina pública.
Reorganização da Transunião após a morte
Depois da execução de Adauto, a facção teria reorganizado a estrutura de comando da Transunião. Lourival de França Monário, conhecido como “Orelha” ou “Lori”, e Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, foram nomeados para os cargos de presidente e diretor da empresa, respectivamente. Jair Ramos de Freitas é, segundo a polícia, quem teria atirado em Adauto. Ele foi preso junto com Senival na operação deflagrada pelo Gaeco e pela Polícia Civil nesta semana.
Patrimônio incompatível e ocultação de bens
Enquanto a empresa crescia, o patrimônio pessoal de Senival Moura também evoluía de forma que os relatórios de inteligência financeira apontam como incompatíveis seus rendimentos declarados. A investigação também teria identificado que a ocultação de bens do vereador petista teria contado com a participação de familiares: esposa, filhos e irmão. Imóveis de luxo registrados em São Paulo e Minas Gerais integram a lista de bens associados ao esquema.
Posição do PT e alerta de especialista
A direção municipal do PT reforçou que acompanha o andamento das investigações e que aguardará o posicionamento das autoridades para se pronunciar. O sociólogo Marcelo Almeida alerta que organizações criminosas se infiltram em todos os setores da economia, do mercado e da política, e que estamos pouco ou quase nada preparados para combatê-las. A prisão do vereador, que faz parte de um quadro histórico do PT e fundador da empresa de ônibus Transunião, colocou o partido no debate político da infiltração do crime organizado.
